Minha prova oral da AGU 2016 (Cespe) • Sem desistir
julho 18, 2016

Minha prova oral da AGU 2016 (Cespe)

Queria começar dizendo que estou escrevendo este post antes mesmo da divulgação do resultado da prova, realizada final de semana passado, dias 9 e 10 de julho, para contar tudo sobre como foi minha prova oral da AGU, sem qualquer influência da minha nota nas minhas impressões sobre a prova.

O objetivo do post é ajudar outras pessoas que venham a fazer prova oral no futuro, em especial da Cespe, já que essa banca tem um perfil bem diferente nesta etapa do concurso, mas também candidatos que farão prova oral mesmo que de outra banca examinadora, porque vou falar sobre tudo: desde treino, cursos, roupa, cabelo, banca examinadora e, claro, minha experiência específica com a prova oral da AGU 2016.

Pra começar, vale esclarecer que essa prova da AGU foi com emoção, pois a primeira prova discursiva realizada em janeiro foi anulada em razão da falta de energia por aproximadamente 5 horas no local de prova em Recife.

A nova prova subjetiva apenas foi aplicada então nos dias 30/04 e 01/05. O resultado provisório foi divulgado dia 06 de junho e o resultado definitivo no dia 01/07, quando ficou marcada a prova oral para os dias 09 e 10 de julho. Ou seja, entre a realização da prova discursiva e a data da prova oral houve apenas um intervalo de 2 meses. Entre o resultado provisório e a data da prova apenas 1 mês (e somente 7 dias do resultado definitivo e a prova oral).

Portanto, acredito que se preparar com antecedência para esta etapa do concurso, que envolve forte carga emocional, é uma excelente estratégia para diminuir a ansiedade na hora da prova e evitar erros que podem ser evitados com os treinos. A Cespe tem esta tradição de fazer a prova oral poucos dias após a divulgação do resultado definitivo, então não dá pra esperar muito para estudar para essa fase. Na dúvida, prepare-se. 

Treino e cursos

Comecei a treinar no final de março, pois já havia saído o resultado da discursiva do concurso da PFN. Os treinos eram presenciais, 1 ou 2 vezes na semana, e quando cheguei na prova oral já me sentia bem mais confiante do que quando iniciei os treinos, ainda que a ansiedade fosse inevitável.

Na minha preparação, fiz apenas um curso que nem sequer foi direcionado para a AGU, mas sim para a PFN. O perfil das provas orais dos dois concursos é bem diferente, mas ainda assim o curso valeu a pena e, como nada acontece por acaso, uma das minhas perguntas da prova da AGU eu respondi no curso para a oral da PFN.

Os cursos para prova oral costumam ser muito caros e costumam durar, em média, apenas 2 ou 3 dias. As orientações também não variam muito (porque no fundo tudo depende de um pouco de bom senso e razoabilidade), o que pode mudar mais é o conteúdo das perguntas e respostas. Por isso, é muito importante formar um grupo para praticar perguntas e respostas nos moldes da prova para ganhar prática, confiança e evitar erros bobos. É apenas com a prática que é possível corrigir alguns detalhes como a velocidade da fala, volume de voz, gesticulação, pausas, entre outros.

Roupa e cabelo para mulheres

Sobre a roupa, vou falar apenas dos detalhes para mulheres, porque ser homem é muito fácil: aquele básico terno e gravata exigido no edital e que a maioria já possui em casa (se existir alguma nuance nesse ponto eu, infelizmente, não posso ajudar, porque estava ocupada demais pensando na minha roupa rsrs).

Já quando se é mulher existe uma infinidade de opções e detalhes. Apesar de eu ter escolhido inicialmente uma calça e um blazer que já tinha em casa da cor preta e uma blusa branca para ir fazer a prova, no final de semana anterior ainda saí para procurar outra opção e acabei fazendo a prova de saia e blazer azul escuro e blusa branca.

Tem alguns professores, fonoaudiólogos e outras pessoas que vão criar várias regras sobre roupa, cabelo e maquiagem para as mulheres. Alguns dizem que o preto é muito padronizado e não cria empatia. O fato é que no dia da minha prova da AGU, cerca de 95% das mulheres estavam de preto e branco. Poucas foram de vestido, a maioria estava dividida entre saia e calça.

O conselho tradicional dos professores é para prender o cabelo ou prender, no mínimo, uma parte do cabelo com uma fivela para evitar que a mulher, estando nervosa, fique mexendo no cabelo, demonstrando a ansiedade e desviando a atenção dos examinadores.

No dia da minha prova, a grande maioria estava de cabelo totalmente solto (e pelo que tenho ouvido falar esta tem sido a tendência nas última provas orais). Eu optei por prender o franjão apenas para seguir a tradição, porque já estava tão treinada que podia estar nervosa como fosse que não iria mexer no cabelo.

Além disso, existem aqueles outros detalhes: brinco discreto, unhas pintadas com esmalte na cor clarinha e sapato fechado de salto. É o que eu consigo lembrar. OBS: sim, eu fui de saia e sem meia calça, porque eu preferi ficar tranquila do que agoniada com aquela coisa me apertando (rsrs). 

Sinceramente, acredito que esses detalhes sobre a roupa não definem aprovação de ninguém, muito menos numa prova para AGU. Basta usar o bom senso de escolher cores sérias e não usar nada curto ou decotado. A prova oral é uma ocasião formal e você deve procurar se vestir como se fosse para um evento especial de trabalho.

Tenho uma amiga que chegou a sair chorando de um curso porque a professora falou para ela que com a roupa que ela estava ela jamais iria passar na prova e hoje ela já está nomeada e empossada sambando na cara da sociedade. Então tudo é questão de bom senso, manter a tranquilidade e se sentir bem com a roupa escolhida por você.

Minha prova da AGU 2016

Feitas essas considerações iniciais, vamos à minha experiência na prova da AGU.

A Cespe dividiu o número de aprovados na prova discursiva em 4 turnos por ordem alfabética. Dentro de cada turno, quem chegava ia entrando numa sala de espera e neste momento era sorteado o número da ordem da realização da prova. Ou seja, a prova não é feita por ordem alfabética, mas sim pela ordem do sorteio realizado lá mesmo no horário previsto para a prova.

Desta vez, haviam 10 bancas arguindo os candidatos, simultaneamente. Cada banca era formada por 5 examinadores, cada um de uma matéria: constitucional, administrativo, civil, processo civil e trabalho/proc. trabalho.

Assim, quem sorteou até o número 10 foi o primeiro candidato a ser arguido de cada banca. Os candidatos que tiraram o número de 11 a 20 foram os segundos de cada banca e assim por diante. Enquanto aguardavam, os candidatos permaneciam na mesma sala de espera do início até serem chamados pelo seu número sorteado.

Na minha prova não havia ninguém de fora assistindo. Isso porque apesar da arguição ser aberta ao público a Cespe dificulta bastante esse processo. É necessário, primeiramente, preencher um requerimento num período determinado no site da banca examinadora. Além disso, não é possível escolher qual das bancas assistir e a pessoa não pode ter nem sequer ser inscrito no concurso. Ou seja, o candidato reprovado na primeira ou segunda fase não pode assistir a prova oral, quando a banca examinadora é a Cespe. Por fim, a pessoa interessada em assistir a prova oral deve chegar com meia hora de antecedência e apenas pode deixar o recinto quando o último candidato terminar a prova, o que dura um turno inteiro.

Nesta prova da AGU, no meu turno, a prova demorou bastante para começar. Uma representante da Cespe explicou como seria todo o processo enquanto estávamos na sala de espera. O Advogado da União substituto e o Procurador Geral da União também falaram desejando boa prova a todos os candidatos.

A prova foi realizada na Finatec – num dos campos da UnB. Uma vez que teve início a prova, os candidatos foram sendo chamados pelo número do sorteio e uma pessoa do Cespe acompanhava o candidato até a porta da sala onde estava a sua banca examinadora. 

Quando entrei na sala dei bom dia (nem lembro bem dessa parte), deixei meus pertences em uma mesinha próxima à porta, me dirigi em direção a cadeira que estava à frente da mesa da banca, pedi “com licença” e sentei. Aí então o presidente da mesa falou: diga o seu nome completo e então vamos começar. 

Do lado direito da cadeira do candidato, ficava a câmara e uma pessoa responsável pela filmagem da prova. 

Nesta prova, o candidato tinha 25 minutos para responder 5 perguntas, uma de cada matéria. Do lado esquerdo da cadeira, ficava um fiscal cronometrando o tempo e levantando plaquinhas de 5 em 5 minutos, que diziam: “faltam 20 minutos”; “faltam 15 minutos”; “faltam 10 minutos”; “faltam 5 minutos”; “faltam 3 minutos”; “falta 1 minuto”; “fim de prova”. Essas foram todas as plaquinhas que eu consegui ver (acredite, muita gente saiu antes do tempo acabar e não viu nenhuma plaquinha levantada).

Apesar da recomendação do edital de 5 minutos por questão, o candidato podia utilizar o tempo livremente, inclusive escolhendo a ordem das questões antes de dar início à prova, bem como voltando a uma questão ao final para complementar a resposta. 

Quando o candidato sentava na cadeira já encontrava na sua frente um envelope com as questões escritas para acompanhar a leitura da questão que era feita pelo examinador. E assim começou minha prova.

Os meus examinadores estavam sérios o tempo inteiro. Educados, mas não simpáticos. Tinha apenas uma mulher na minha banca e ela foi a única que ainda deu um sorrisinho quando eu respondi a questão que ela me fez. No geral, os examinadores não me fizeram reperguntas para direcionar a resposta, apenas me perguntaram ao final se eu tinha mais alguma coisa para acrescentar.  

Logo na minha primeira questão de constitucional o examinador fez uma repergunta que eu não entendi muito bem o que ele queria saber mas continuei falando sobre o tema perguntado, ressaltando o entendimento do STF. 

De modo geral, tentei responder de forma direta, mas aproveitando o gancho para demonstrar que sabia muito mais coisa sobre o assunto. Assim, utilizei todo o tempo de prova e achei que passou super rápido. A impressão que eu tive pelos comentários que ouvi é que a maioria não utilizou todo o tempo da prova, muitos nem viram as plaquinhas sendo levantadas.

Minha primeira sensação logo que saí da prova foi de que havia sido “até tranquila”, tendo em vista os cenários que eu havia imaginado na minha cabeça, mas pouco tempo depois percebi que falei alguns detalhes errados…

No geral, foi isso. Achei rápido e apesar de não haver um clima amistoso (não me fizeram nenhum tipo de pergunta pessoal antes ou depois da prova), também não havia um clima hostil (não tinha examinador grosseiro nem fizeram pegadinhas). Foi uma arguição séria, formal e direta. 

Apesar das minhas impressões com a minha banca, ouvi muitos candidatos falando que os examinadores foram muito simpáticos e que a prova teve um clima muito agradável. 

Sim, tinha um vademecum disponível na mesa da banca examinadora que poderia ser utilizado pelo candidato, mas eu não utilizei. Normalmente, os professores de cursinhos não recomendam utilizar o código, porque pode mais atrapalhar do que ajudar. Na minha arguição, a banca citou a existência do vademecum por uma questão formal no início da prova, caso contrário eu sequer teria notado. Entretanto, soube que alguns examinadores deram a sugestão do candidato fazer uso do vademecum durante a prova. 

Espero que esse relato ajude vocês que irão fazer prova oral e estão querendo saber um pouco mais sobre essa etapa dos concursos. Se tiverem alguma dúvida podem deixar nos comentários que vou tentar responder no que eu puder. 

OBS: A Cespe não disponibilizou desta vez as questões da prova como na prova anterior, mas nesta prova da AGU a nota de cada disciplina estava dividida da seguinte forma:

1.Dominio do Conhecimento Jurídico
valor 50,00 pontos
2.Uso correto do Vernáculo
valor 10,00 pontos
3.Articulação do Raciocínio
valor 20,00 pontos
4.Capacidade de Argumentação
valor 20,00 pontos

arguição

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3 Respostas para "Minha prova oral da AGU 2016 (Cespe)"

WILLIAM COSTA FERREIRA - 07, agosto 2016 às (14:06)

Tenho uma dúvida. Durante o período em que você aguardou para ser chamada para sua arguição, era possível ler/consultar algum material? Já ouvi comentários que era possível levar, sim, alguns materiais e ler nessa sala de espera.

No mais, parabéns por ter chegado à última etapa de ambos concursos da AGU (PFN e AU).

Encontro-me estudando para os próximos certames, e fico muito feliz em em saber que você conseguiu.

Você manteve a mesma metodologia de estudos da PGE para a AGU?

William

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Sem Desistir - setembro 1st, 2016 às3:18 pm respondeu:

William,
Eu não levei nenhum material de consulta, pois entendi que não seria possível. Até o momento que fiquei esperando não houve controle algum sobre isso, mas também não vi ninguém com material. Até nossos lanches tivemos que colocar em saco transparente, como o cespe vem fazendo nas últimas provas.
Tive algumas variações no estudo para a primeira fase da AGU/PFN dando ênfase nas matérias que não havia estudado antes ou que precisavam de um maior reforço. E cada fase do concurso também tem sua especificidade, então varia algumas coisas na preparação.
Boa sorte!

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WILLIAM COSTA FERREIRA - outubro 21st, 2016 às1:22 pm respondeu:

Compreendi. Grato pela resposta. 😀

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